Respeitável assinante e amigo deste blog:
Mudamos de nome e continuamos igual.
Na entrada do templo de Apolo, em Delfos, está escrito “Conhece-te a Ti Mesmo”. Muita gente acha que é seu nome, sua profissão, sua história pessoal. Algumas pessoas parecem mais conscientes e evoluídas porque se consideram almas imortais. Mas conhecer a si mesmo é muito mais que adotar conceitos espirituais e acrescentar ainda mais conteúdo na sua cabecinha. Conhecer a si mesmo é estar conectado ao Ser em vez de perdido na identificação com a mente.
A pessoa está lá, toda budista, toda yoga, ouvindo a melodia das fadas, dos anjos e dos gnomos, incenso queimando, brotos de soja… um espírito divino! Chega a sogra, de visita. Com uma mala enorme e a primeira coisa que ela diz é alguma crítica. Aí já não tem alma imortal: É irritação, defensiva, ataque, todo o repertório do piloto-automático. Se a paz fosse o que realmente queremos, então deveríamos escolhê-la. Se essa pessoa se reconhecesse realmente como um espírito divino, aceitaria a situação na mesma hora, não se separaria dela, se fundiria com ela e agiria, em vez de reagir. Estaria Livre de Si.
Saber que você não é esse “eu pequeno” já é um grande passo, mas só indica que você sabe quem não é. Bom, pelo menos o maior obstáculo já foi removido…
Ninguém pode te dizer quem você é. Isso seria outro conceito, outra crença, mais material pra mente. Nada que você possa saber sobre si mesmo é você. Tem gente que tem medo de descobrir quem é, mas também tem gente obcecada com o que pensa ser auto-conhecimento. Gastam anos da vida colecionando psicanálise, mapa astral, teste vocacional, eneagrama… camadas e mais camadas de complexidade. Mas é diferente, o conteúdo, daquilo que permite que ele exista. É diferente conhecer sobre si mesmo de conhecer a si mesmo.
Seja feliz!
Sebastian Valle
texto baseado no livro Um Novo Mundo de Eckhart Tolle.
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