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Em sânscrito: Dharma . Em páli Dhamma. Significa “Lei Natural” ou “Realidade Última” ou também o conjunto de doutrinas e técnicas seguidas para obter essa Verdade (o “Caminho”).
O dharma é a base de muitas filosofias, crenças e práticas que se originaram na Índia. Na mais antiga dessas, conhecida como Hinduísmo, usa-se o termo Sanatana Dharma (ou Dharma Eterno). No Budismo, no jainismo e no sikhismo, o dharma também tem um papel axial. Nessas tradições, seres que vivem em harmonia com o dharma alcançam o moksha, o Dharma Yukam, o Nirvana ou libertação da Roda do Samsara.
O dharma também se refere aos ensinamentos e técnicas de diversos fundadores de tradições, como Siddhartha Gautama no budismo e Mahavira no jainismo. Como doutrina moral sobre os direitos e deveres de cada um, o Dharma se refere geralmente ao exercício de uma tarefa espiritual, mas também significa ordem social, conduta reta ou, simplesmente, virtude.
fonte: Wikipedia
Diferente das Oito Nobres Verdades (ou Nobre Caminho Óctuplo), os preceitos são apenas o básico pra viver sem problemas. O Nobre Caminho Óctuplo é seguido por quem quer sair da roda torta do sofrimento. Os Preceitos são seguidos por qualquer pessoa que queira espontaneamente e por vontade própria viver harmonicamente em sociedade. Num curso de Vipassana eles são muito importantes porque apesar do silêncio, a vida social é intensa. Você só fica sozinho no chuveiro ou na privada.
Vamos partir da premissa básica da ética: Não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a você. Com essa premissa qualquer um pode escrever seu próprios preceitos, e o mais importante seria o Não Matar. Não é legal matar os coleguinhas de meditação. Eles não vão gostar, e se a polícia aparecer vai arruinar o curso.
Este preceito se aplica a animais e plantas, por isso a alimentação num curso de Vipassana é vegetariana. É sua grande oportunidade de experimentar onze dias sem comer carne de nenhum tipo e ver a diferença no seu corpo. Pra mim os resultados foram chocantes, positivamente falando. Além disso a comida é deliciosa e interessante. Alguns budistas interpretam este preceito como regra de vegetarianismo, mas é apenas uma questão de interpretação pessoal.
Também não é legal arrancar flores ou quebrar os galhos das árvores. Você pode até ter esse impulso nos primeiros dias, mas eu garanto que o tédio dos dez dias vai te fazer considerar as plantas suas melhores amigas. As cores, os detalhes, a forma, o movimento delas ao vento, os cheiros, tudo é entretenimento num curso desses.
No 6º ou 7º dia do meu curso apareceu um coelho selvagem no jardim. Foi um furor! Todo mundo olhando fixamente pro bichinho enquanto ele detonava umas plantinhas com seu dentes frenéticos. Muito bonitinho. Não o matei.
Quanto às formigas: Não se sinta culpado se pisar em algumas dezenas delas todos os dias. Considere que o animal é o formigueiro e que as formigas independentemente não sabem fazer nada. Elas não têm nenhuma individualidade. São células.

Se você quer receber uma iniciação no budismo, tipo a Primeira Comunhão cristã, deve aceitar os Cinco Preceitos Budistas. São eles:
2 – Não Roubar.
3 – Não ter sexo ilícito.
4 – Não Mentir.
5 – Não usar drogas.
Os cursos de Vipassana não estão vinculados diretamente com a instituição religiosa budista. Apesar disso pede-se que se respeite estes preceitos durantes os cursos de dez dias e aconselha-se que se use este código ético na vida. Sendo um intensivão de auto-conhecimento, os cursos acrescentam mais três preceitos, formando o que se chama de Os Oito Preceitos do Budismo. Esta lista ampliada é seguida por budistas que querem ir um passo a frente (no ascetismo). Nos países de tradição Theravada os budistas dedicam um dia por semana morando num templo e praticando os Oito Preceitos. A lista ampliada, usada nos cursos de dez dias, inclui os seguintes preceitos:
6 – Não comer na hora errada durante os retiros.
7 – Não cantar, dançar, enfeitar-se ou perfumar-se durante os retiros.
8 – Não usar camas luxuosas nos retiros.
Por favor não julgue os preceitos à primeira vista. Nos próximos tópicos vou tentar explicá-los um a um.

O curso consiste em ensinar de forma intensiva a técnica de meditação usada e ensinada pelo Buda Gautama. Existem milhares de técnicas, mas esta é a que ele usava. Existiram muitos budas antes do Gautama, contemporâneos ao Gautama e posteriores ao Gautama. Buda significa iluminado. Abraão, Jesus, Maomé e Lao Tsé eram budas, mas ensinavam “técnicas” diferentes.
A técnica do Sidhartha Gautama, o Shakyamuni Buda já existia antes dele. O que ele fez foi resgatá-la e desenvolvê-la além do nível técnico em que era praticada (pouco praticada) até entao.
Com a morte desse buda, os discípulos se espalharam pelo mundo e acabaram gerando uma religião. Exatamente como aconteceu no cristianismo. É só o cara morrer que o pessoal começa a fazer exatamente o que ele NÃO queria. Mas a humanidade é assim, nao tem jeito…
Conforme o budismo se espalhava, aspectos culturais de cada regiao foram se incorporando aos ensinamentos e a técnica foi sendo esquecida. Por sorte os missionários que foram levar a palavra de Buda à Birmânia mantiveram a técnica intacta. Dois mil e quinhentos anos depois da morte do Buda a técnica saiu da Birmânia e começou a se expandir começando pela India e chegando à Europa, EUA e ao Brasil, onde existe um Centro em Miguel Pereira, no Rio de Janeiro. http://www.dhamma.org/en/schedules/schsanti.shtml
Essa expansão foi promovida pelo S. N. Goenka, um rico industrial de Myanmar (Birmânia ou Burma) que criou a Fundaçao Vipassana. O objetivo é divulgar a técnica separando-a da religião budista. Não há devoção, idolatria, mantras, incenso, estátuas, mandalas, terços, velas, nada disso. Só técnica.
Este blog oferece meu relato detalhado do meu primeiro curso-retiro de dez dias, começando aqui.

