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“Não há homem que não tema o castigo, nem homem que não tema a morte. Aquele que compreende isto, não mata nem provoca a morte.

Não há homem que não tema o castigo, nem homem que não ame a vida. Aquele que compreende isto, não mata nem provoca a morte.

Todo aquele que, em busca da sua própria felicidade, prejudique a outros que, como ele, também buscam plenitude, não a alcançará depois da morte.

Todo aquele que, em busca de sua própria felicidade, não prejudique a outros que, como ele, também buscam plenitude, a alcançará depois da morte.

Não dirijais palavras que machuquem a ninguém, pois aqueles a quem atacais poderiam levantar-se contra vós. Todas as discussões causam dor, e podeis receber golpe por golpe.

Se, como um gongo quebrado, permaneces em silêncio, atinjirás o Nirvana e encontrarás a paz.

A velhice e a morte levam a vida dos seres ao fim, do mesmo modo que um vaqueiro conduz suas vacas à pastagem com um cajado.

O homem ignorante que age mal, é atormentado por suas ações como o homem abraçado pelo fogo.

Aquele que ferir com suas armas ao inocente e ao pacífico, se verá precipitado no sofrimento.

Grandes doenças o atormentarão, ou seu corpo se cobrirá de feridas, ou sua mente se turvará.

Ou padecerá da opressão de seu senhor, ou cairão sobre ele graves acusações, ou perderá sua família, ou se arruinará, ou um incêndio assolará sua casa.

E depois da dissolução de seu corpo, renascerá no inferno.

O homem que ainda não se desfez de suas dúvidas não alcançará a purificação por andar nu, nem por lavar-se, nem por fazer jejum, nem por dormir no chão, nem por cobrir o corpo com cinza, nem por não caminhar erguido.

Não importa se o homem se veste ou não corretamente, pois só aquele que vive em paz, que submeteu suas paixões e dominou seus sentidos, e que não fere ninguém, é puro, e digno de ser chamado brâmane, asceta ou monge.

Muito difícil é encontrar neste mundo um homem que, dominado pela modéstia, evite toda crítica como o cavalo evita o chicote.

Sejam fortes e firmes, como o cavalo ao notar o golpe do chicote. Pela segurança, a virtude, o esforço, a concentração, o estudo da verdade, o conhecimento correto, a boa conduta e a vigilância da mente, prevalecerão sobre o grande sofrimento.

Os encarregados da irrigação canalizam as águas; os fabricantes de flechas as endireitam; os carpinteiros alisam a madeira. Os homens virtuosos dominam a si mesmos.”

capítulo XI – Velhice

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“Não demoreis em fazer o bem e afastai vossas mentes do mal, pois todo aquele que tarda em fazer o bem acaba sendo alcançado pelo mal.

Insistir na maldade provoca sofrimento. Assim, que ninguém atue mal uma e outra vez.

Insistir na bondade produz felicidade. Assim, atua bem uma e outra vez.

Despreocupado vai o malvado enquanto sua má ação não produz frutos. Mas quando ela amadurece, sobre ele cai todo o infortúnio dessa má ação.

Às vezes o homem bom sente dor ao agir bem, mas quando sua boa ação amadurece e produz frutos, então o bondoso recebe a fortuna de sua obra.

Não os descuideis do mal pensando que não os alcançará, pois assim como o cantil se enche gota a gota, assim o malvado vai se enchendo pouco a pouco de maldade.

Não os descuideis do bem pensando que não chegará, pois assim como o cantil se enche gota a gota, assim o sábio vai se enchendo pouco a pouco de bondade.

O mal deve ser evitado com a mesma astúcia que um comerciante rico afasta sua caravana do caminho perigoso, e com o mesmo afinco que o homem que ama a vida evita o veneno.

Assim como o veneno não consegue ferir a mão que o sustenta se não há ferida, assim se livra da maldade aquele que não está enganado.

Como poeira lançada ao vento, volta-se o mal contra o malvado que fere o homem inocente, puro e sem mácula.

Alguns homens nascem de matriz. Outros, os malvados, nascem em estados desgraçados. Outros, os que dominam a si mesmos, nascem em estados benditos. Mas apenas os iluminados alcançam o Nirvana.

Não há lugar algum, nem no céu, nem no meio do oceano, nem em uma caverna perdida nas montanhas, onde um homem possa estar a salvo da morte.”

capítulo X – Castigo

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buda“Uma só frase racional, capaz de acalmar àquele que a escuta, é melhor do que mil discursos cheios de palavras embaralhadas sem significado algum.

Um só verso benéfico, capaz de acalmar àquele que o escuta, é melhor do que mil versos repletos de palavras inúteis.

Uma só palavra do Dhamma, capaz de acalmar àquele que a escuta, é melhor do que mil doutrinas cheias de palavras vazias.

Melhor é a conquista de si mesmo do que a conquista de mil vezes mil homens em batalha.

Melhor é a conquista de si mesmo do que a conquista de outros.

A vitória daquele que conquistou a si mesmo e se comporta com temperança, não pode destruída nem por um deus nem por um semi-deus, nem por Mara nem por Brahma.

Melhor é render honras, por um só instante, ao homem iluminado, do que oferecer sacrifícios a cada mês por cem anos.

Melhor é render honras, por um só instante, ao homem iluminado, do que cumprir o ritual do fogo na floresta a cada mês por cem anos.

Muito melhor é honrar ao santo excelente do que todas as oferendas e presentes que se possam oferecer neste mundo durante mil dias para obter homenagens.

Sobre aqueles que habitualmente honram e respeitam aos mais velhos, vão recaindo em contínuo aumento as bênçãos da idade, da beleza, da bondade e da força.

Mais vale um só dia de um homem virtuoso e meditativo do que cem anos de um homem culto e imoral.

Mais vale um só dia da vida de um homem esforçado e resoluto do que cem anos da vida de um homem preguiçoso e indolente.

Mais vale um só dia da vida de um homem esforçado que cem anos da vida de um homem preguiçoso e vadio.

Mais vale um só dia da vida de um homem capaz de compreender como surgem e desaparecem as coisas do que cem anos da vida de um homem que nada sabe do nascimento e da morte das coisas.

budaMais vale um só dia da vida de um homem capaz de ver a imortalidade do que cem anos da vida de um homem que carece da visão da imortalidade.

Mais vale um só dia da vida de um homem que percebe o Dhamma do que cem anos da vida de um homem incapaz de ver a Sublime Verdade.”

capítulo IX

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Buda“O fogo das paixões foi extinto por aqueles que se libertaram do sofrimento e deram um fim a todas as amarras. Esses concluiram sua viagem.

Permanecendo constantemente vigilantes, sem apego a lugar algum, abandonam lugar por lugar como um cisne abandona os lagos.

Não tem mais valor para eles acumular riquezas, pois seu único alimento é a liberdade, que não é nada mais que vazio e infinito. Passam sem deixar rastro, como os pássaros no ar.

Quando não há corrupção da mente, já não é necessário o alimento, e seu único desejo é a liberação, que é o vazio e o infinito. Caminham sem deixar pegadas, como os pássaros no céu.

Aquele que domina seus sentidos como o auriga a seus cavalos; aquele que purifica seu orgulho e se desfaz das paixões, é invejado inclusive pelos deuses.

O homem temperado e amigo da disciplina é estável como a terra, firme como uma coluna e nítido como um lago cristalino. Por sua temperança está livre de novos nascimentos.

Aquele que alcança o conhecimento perfeito vive em paz e se mantém firme. Aquele que está liberado tem a mente tranquila, tranquila é sua palavra e tranquilos seus atos.

O homem supremo é aquele que compreendeu o Não-Criado, que se desfez de toda dúvida, que se livrou de todas as amarras, que se elevou acima do bem e do mal e pôs um fim a todos seus desejos.

budaQualquer morada é deliciosa para o homem iluminado. Não importa se vive numa vila o na floresta. Não importa se vive na escuridão ou num lugar luminoso.

Inclusive as florestas, que as pessoas comuns julgam desagradáveis, são uma delícia para o homem iluminado, pois qualquer lugar é delicioso para aquele que queimou suas paixões e se encontra além dos prazeres dos sentidos.”

Capítulo VIII – Mil

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buda“Se um sábio, como um caçador de tesouros, te indica todos os teus defeitos, une-te a ele, pois sua companhia te será proveitosa.

Segue seu conselho e ele te afastará do erro. Sua companhia é doce para o nobre e amarga para o ignorante.

Afástate das companhias ignorantes e vulgares. Aproxímate aos nobres e aos melhores entre os homens.

O sábio se regozija no Dhamma que proclamam os nobres iluminados, e todo aquele que bebe da Fonte do Ensinamento traz serenidade a sua mente e vive feliz.

Assim como canalizam a água os responsáveis pela irrigação, assim como direciona sua flecha o arqueiro e assim como talha a madeira o carpinteiro, assim perseveram os sábios na disciplina.

O sábio permanece impassível perante a calúnia e a adulação como uma rocha permanece impassível perante o sopro do vento.

A paz do sábio ao escutar o Dhamma é tão aprazível e transparente como a água de um profundo lago.

O homem santo se desapega de todas as coisas e não se deixa levar pelos sentidos. Por sua sabedoria, se mostra impassível perante a felicidade e perante o sofrimento.

O sábio não deseja filhos nem riqueza, nem reinos nem seu próprio triunfo. E com sua atitude mostra sua virtude, sua sabedoria e sua retidão.

São poucos os homens que cruzam o rio. A maioria se limita a subir e descer pela mesma margem.

Mas aqueles que, seguindo corretamente o Dhamma, agem segundo o estabelecido, vão além das paixões e alcançam o Nirvana.

Que o homem sábio fuja da escuridão e se aproxime da luz abandonando seu lar.

Mesmo que seja difícil, prevalecerá sobre os prazeres terrenos e se deleitará no desapego. Desse modo se liberará o sábio das impurezas da mente.

budaAqueles que aperfeiçoam suas mentes na Iluminação, livres das amarras das paixões, esclarecidos e livres de toda corrupção, alcançam o Nirvana neste mundo.”

Capítulo VII – O Honesto

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buda“A noite é longa para quem não dorme e longo é o caminho para o viajante cansado. Longa é também a repetição da existência para o ignorante que desconhece o Dhamma.”

“Se um homem não encontra outro que seja igual ou superior a si, é melhor que insista sozinho na busca do Dhamma, porque a amizade não nasce com o ignorante.”

“O ignorante diz: “Tenho filhos e tenho riquezas”. Não entende que, se ele próprio não se pertence, muito menos pertencerão seus filhos e suas riquezas.”

“Se um ignorante sabe de sua ignorância, já é um sábio. Se um ignorante pensa que é sábio, é um verdadeiro ignorante.”

“Assim como a colher não saboreia a sopa, o ignorante não compreende o Dhamma só por andar junto ao sábio.”

“Assim como a boca capta o sabor da sopa, o homem inteligente compreende o Dhamma por andar junto ao sábio.”

“Os homens ignorantes são inimigos de si mesmos, pois de suas ações nascem amargos frutos.”

“Quando uma ação provoca arrependimento e derrama lágrimas, é uma má ação.”

“Se uma ação não provoca remorso e enche a mente de alegria e felicidade, é uma boa ação.”

“Enquanto não nascem os frutos da má ação, o ignorante pensa que ela é doce como o mel. Mas quando a má ação amadurece e produz seus frutos, o ignorante fica inundado pelo sofrimento.”

“Mesmo que o ignorante tivesse como único alimento, por longos meses, um punhado da erva kusa, o dano não seria nem uma sexta parte do sofrimento que produzem as más ações.”

“Assim como o leite não fica azedo de um momento a outro, a má ação também não oferece imediatamente seus frutos. Assim como o fogo queima embaixo das cinzas, a má ação queima o ignorante.”

“O ignorante consegue reconhecimento e fama que retorçem seu destino e ofuscam sua mente.”

“O ignorante quer ser elogiado e coberto de honrarias entre os monges, nos monastérios e destacar-se entre todos os homens.”

buda“A ambição do ignorante, seus desejos e seu orgulho vão crescendo enquanto leigos e monges pensam que ele está fazendo seu trabalho sozinho.”

“Mas uma coisa é o caminho que leva aos tesouros terrenos, outra coisa é o que leva ao Nirvana. Compreendendo isso, o monge não se deleita nos prazeres terrenos e se mantém acima deles.”

Capítulo VI – O Sábio

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